Escola Jaya de Yoga

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A Transmigração

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A morte é a única experiência certa de se ter após o nascimento, este é o provérbio popular. O advento chamado de morte sempre foi alvo da especulação humana, pois muitas são as perguntas feitas decorrente da pouca ou nenhuma preparação para lidar com esta situação. Todavia, a pergunta persiste, o que ocorre após a morte física, o que é levado do indivíduo e de suas experiências para uma nova vida ou um novo nascimento? Bem, esta pergunta é ampla, pois dependendo da trajetória de ações praticadas pela pessoa, muitas situações podem ocorrer. Na visão do Yoga existe vida após a vida e após a morte, pois até que seja alcançado um estado de liberação onde não haja mais necessidade de nascimentos o indivíduo seguirá renascendo, trocando de corpo, de nacionalidade, de família, de idioma, enfim a cada novo nascimento um novo aprendizado. Esta transferência da condição de estar vivo, para o de estar morto, onde um novo corpo é ocupado decorrente do antigo corpo está estragado é chamada no ocidente de reencarnação, no Yoga esta situação é chamada de transmigração. Isto ocorre decorrente de uma condição energética imposta aos seres, a qual é chamada de roda de Samsara. Esta energia semelhante à ação da gravidade que nos atrai para o planeta obrigaria aos seres sem um nível vibracional adequado a permanecer renascendo sucessivamente até que este nível seja alcançado.

O que transmigra não é o Eu, que no Yoga é chamado de Purusha, devido ao fato deste ser imutável. Ele não está sujeito nem ao tempo ou ao local. Na realidade o que transmigra é o Lingadeha, que pode ser entendido como corpo sutil. Este corpo sutil é um corpo de energia que é composto por Buddhi, que é o intelecto, por Ahamkara, que é o princípio de individuação, conhecido como ego, por Manas, que é a mente discursiva, por 05 Karmendriya, que são as faculdades da ação, por 05 Jñanendriya, que são as faculdades sensoriais, e por 05 Tanmatra, que são as potencialidades dos elementos sensíveis. A esta estrutura psíquica é dado o nome de Linga, o qual possui sinais específicos através dos quais os Purusha podem ser diferenciados. É importante ressaltar que o que é chamado de espírito aqui no ocidente, para o Yoga está inserido no Lingadeha, ou corpo sutil. Este Lingadeha, ou corpo sutil só consegue viver a experiência ao assumir um corpo físico composto por elementos da matéria e nascendo através da união sexual dos pais. Ao morrer, o corpo físico é abandonado e um novo é utilizado num novo nascimento. As impressões das experiências passadas permanecem armazenadas no Lingadeha, o qual só se dissolverá no momento da liberação, enquanto este estiver presente ocorrerão renascimentos sucessivos. As disposições que impregnam o Lingadeha é que determinam como será o próximo nascimento. Estas disposições são impressões deixadas em todas as ações executadas por ele na vida anterior.

 

As disposições fundamentais são quatro e estas são inerentes a Buddhi, ou intelecto: são a retidão ou Dharma que é a conformidade com a ordem do universo, onde os seres devem aceitar a lei que rege sua natureza fundamental. Esta lei produz uma força de coesão estabelecendo uma harmonia sustentando a relação entre eles. Tanto a justiça quanto a ética são apenas aspectos aplicados no controle social. A retidão aqui mencionada determina o nascimento em mundos superiores enquanto o contrário age como força de dissolução determinando o nascimento em mundos inferiores. O conhecimento manifesta-se de duas formas uma extrínseca, a qual abarca todo o conhecimento tradicional e outra intrínseca que está ligada a Prakriti ou natureza e ao Purusha. O desapego pode ser externo quando renunciamos a influencia dos objetos exercidos sobre os órgãos dos sentidos, e um interno quando sentimos a aspiração pela liberação. E por último os siddhi ou poderes que são essenciais em Buddhi e que são perfeitamente naturais, e que graças a prática do Yoga podem ser recuperados. Essas disposições constituem a forma luminosa do intelecto, quando o Guna Sattva manifesta-se e prevalece sobre os Guna Rajas e Tamas. Contudo, assim como existem disposições favoráveis existem também as desfavoráveis ou contrárias, estas são: o mal, a ignorância, o apego e a impotência, elas constituem-se na forma não luminosa ou obscura do intelecto, decorrente da manifestação ora de Rajas ora de Tamas sobre Sattva que nestas duas situações permanece inibido.

No momento em que se introduz num novo corpo o caráter de um indivíduo dependerá da maneira com que suas ações passadas tenderão a impulsionar ou travar a ação de um determinado Guna. A proporção em que os Guna estarão presentes influenciará o tipo de vida que ele terá. Essa proporção está registrada no Lingadeha, na forma de tendências, estas tendências geradas decorrentes das ações passadas é que estabelecerão seu estado na vida atual.

 

 

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