Escola Jaya de Yoga

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A Cosmologia do Yoga

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O YOGA é um Darshana ortodoxo da milenar cultura da India, e como um dos seis Darshanas ortodoxos, ele expõe “um ponto de vista sobre a realidade última, e de que maneira o praticante deste Darshana conseguirá aproximar-se desta realidade”. O Yoga concorda com o Veda, que é a revelação primordial, e por isso é aceito pelo Bramanismo.

As bases doutrinais do Yoga, são as mesmas do Samkhya, o qual assim como o Yoga, também faz parte do conhecido grupo dos seis Darshanas ortodoxos da India, que além destes já citados, há também o Vedanta, o Niyaya, o Vaisheshika, e o Mimansa.

Para que o praticante tenha um entendimento claro do que está praticando, é imprescindível que ele compreenda certos princípios. Ao serem explicadas, as bases doutrinárias do Yoga, será definido com clareza, o objetivo deste Darshana, proporcionando sentido ao trabalho prático. O praticante desprovido do conhecimento da Cosmologia, da Psicologia ou da Soteriologia não conseguirá realizar a conexão necessária para alcançar a meta do Yoga.

A proximidade entre o Samkhya e o Yoga é tão grande, que quando se procura o Yoga encontra-se o Samkhya e vice-versa.

 

Há uma menção sobre esta estreita relação no Bhagavad-Gita III, 5-6:

“Os ignorantes falam do Samkhya e do Yoga separadamente, mas não as pessoas instruídas que, ao se dedicarem a um, conhecem igualmente o fruto dos dois.”

 

Infelizmente, é muito comum que um estudioso, ou praticante de Yoga busque aprofundar seus conhecimentos sem a devida base teórica que o Samkhya proporciona ao Yoga, e depois de algum tempo, vêem-se completamente perdidos em suas pesquisas.

O ponto de partida para o conhecimento doutrinário do Yoga, é a condição humana. Condição esta, que após uma avaliação, percebe-se o caráter de insatisfação em que se vive o indivíduo. Todo o estudo e prática do Yoga, tem por finalidade, por fim, a miséria humana, que na visão do Yoga são de três tipos, também conhecida por (dukha traya) ou a tríplice miséria existencial:

1) A miséria do tipo Adhyatmika, que é aquela que abrange o sofrimento mental, e este pode se manifestar de inúmeras formas, tal como obter aquilo que agrada, ou não obter aquilo que não nos agrada...

2) A miséria do tipo Adhibhautika, que é aquela causada pelos outros seres, não só humanos, mas todos os seres da natureza, tais como insetos, répteis, e mesmo muitas plantas.

3) A miséria do tipo Adhidaivika, que é aquela proporcionada por elementos da natureza sem uma identidade pessoal, tais como: calor, seca, frio, neve, tempestades, maremotos, ciclónes...

Através deste estudo busca-se, não um conhecimento abstrato, que tenha fim em si mesmo, mas sim uma forma de libertar o ser humano da miséria existencial que se vive. Os textos antigos, insistentemente nos informam que, a busca não se torna inútil pela existência, decorrente da real necessidade de remover todos os males, ou de atividades específicas, tal como o exercício da atividade médica, ou mesmo da advocacia; o desejo e busca pelas sensações agradáveis e prazerosas e da mesma forma evitar a todo custo as sensações desagradáveis. Contudo, quaisquer que sejam os meios ou fórmulas utilizados, são estes incertos e temporários, mascarando o problema e nos passando uma falsa realidade, de problema solucionado ocultando-nos a precária condição da criatura humana.

Os conflitos e desarmonias quer sejam individuais ou coletivos são observados e constatados pelos praticantes deste milenar Darshana, que é o Yoga, e este é o primeiro passo no sentido de transpô-los.

Segundo a visão do Yoga, desta problemática humana, o praticante não deve limitar-se em superar a inclinação natural de fixar-se naquilo que é agradável e desconsiderar ou mesmo esquecer aquilo que é desagradável. A atitude psicológica é de fundamental importância, pois mesmo nas condições mais adversas, pode o praticante conservar a vontade de viver.

O Yoga explica que, a impermanência se manifesta em tudo o que existe, e que simultaneamente, enquanto um ser vive uma existência de satisfação, ao mesmo tempo em outra parte outros seres vivem a tristeza, a dor e o sofrimento. A explicação proposta pelo Voga é de que mesmo a felicidade não revelada, quando examinada mais detidamente, é somente prazer, que é uma maneira dos seres se refugiarem do estado de insegurança que a vida lhes impõe. Quanto a autêntica felicidade, muito rara por sinal e também chamada de felicidade plena, inevitavelmente estará também fadada a desaparecer, pois ela também é impermanente já que se baseia em coisas impermanentes e transitórias.

É um grave erro crer que, a tão discutida miséria humana sinalizada pelo Yoga, chamada também de dukha, palavra do sânscrito que indica dor no sentido mais amplo desta palavra e não apenas uma dor física; esta dor não depende somente de condições materiais, sociais e econômicas desfavoráveis, pois mesmo naqueles mais favorecidos, onde não existe qualquer dificuldade material, social ou econômica esta miséria pode existir. O ser humano pode perceber que, mesmo que todas as suas necessidades físicas, mentais, emocionais, morais e econômicas tenham sido removidas, sente-se uma inquietação, ou agitação interna, uma instabilidade, uma insatisfação, uma ausência, independente da sua situação de sucesso exterior.

A cultura Indiana é cheia de histórias de nobres, príncipes e reis, que em pleno apogeu financeiro e no auge da juventude abandonaram tudo, iniciando uma busca pela compreensão do verdadeiro sentido da vida, e de como se pode eliminar as misérias que afligem o ser humano. O mais famoso deles, mas não o mais importante foi o príncipe Siddarta Gautama, conhecido como “O Buddha”.

Estes membros da pasta dos Kíshatryas, que é a casta dos guerreiros, nobres e governantas da India, não ignoraram a situação de impermanência das experiências quer boas ou más que a vida nos submete, o que é uma evidência fundamental.

Tanto a morte quanto o envelhecimento e o renascimento são aspectos da transitoriedade a que estamos submetidos, portanto, constitui-se um equívoco completo quando estabelecemos condições de permanência e estabilidade sobre coisas ou pessoas que são instáveis e impermanentes. Esta ação só terá como resultado frustração e sofrimento.

De acordo com a observação do Yoga, os meios oferecidos pelas vias religiosas oficiais são insúficientes, pois mesmo após o desencarne a dita imortalidade alcançada pelo seguidor da via religiosa, o conduziria a permanência prolongada em mundos paradisíacos, mas que também são transitórios e impermanentes, já que uma vez esgotado o saldo positivo das boas ações que o conduziram ao “Eden” ele regressaria ao estado inicial, entrando em uma matriz renascendo, e voltando a estar sujeito ao envelhecimento, as enfermidades, a morte e a vulnerabilidade que todas as mazelas mundanas nos impõem. Mesmo as Divindades, estão sujeitas a transmigração, embora numa escala de tempo bem superior a humana. Perceba o comentário de Gaudapada neste trecho do Samkhya-Karika.

"Numerosos milhares de Indra (protótipo do soberano dos deuses) e outros deuses, de era em era, passaram com o tempo, pois o tempo é intransponível.”

“Samkhya-Karika, II

Uma pergunta que naturalmente deve estar pairando na mente do leitor atento, deve ser de que, o Yoga tem como característica a insatisfação em relação a condição humana, e que nada em termos de soluções que atenuem o sofrimento humano são suficientes para satisfazê-lo, mas que são apenas meros paliativos, e que o criador do Universo está aquém de sua aspiração? Contudo, na base do Darshana que é o Yoga estão as disciplinas de Yama e Niyama. Esta última tem em uma de suas etapas Santosha, que poderia ser traduzido como contentamento, no sentido mais amplo, mas que nada tem a ver com apatia. Neste dilema, é importante que o leitor entenda, que a determinação na busca não é dirigida ao mundo exterior, mas sim ao mundo no interior do ser humano. As condições materiais não são importantes neste contexto, mas apenas as condições para que ocorra o aprofundamento da consciência é que importam. Em verdade todas as energias são voltadas para atingir as raízes do Ser, sendo necessário que se tenha saúde, suficiência alimentar, condições básicas de higiene...para se alcançar a meta almejada. Todo e qualquer enriquecimento é visto como uma distração, afastando o praticante da meta, e daí vem a ação de reduzir as necessidades da vida cotidiana ao mínimo, que propiciam ao praticante uma atitude de (aparigraha) a não possessividade. Juntamente com a não possessividade, é importante a pratica de (ahimsa) não-violência, de (satya) a verdade, do ato de (asteya) o não-roubar, de (brahmacharya) a continência, de (saucha) a pureza, de (santosha) o contentamento, de (tapas) a austeridade, de (svadhyaya) o estudo do eu e de (ishvara pranidhana) a dedicação de todas as ações ao Criador, que constituem as etapas preliminares codificadas pelo Yogue chamado Patañjali, na obra de título “Yoga Sutras”. Que sendo etapas preliminares, são de fundamental importância para o bom desempenho do aspirante em alcançar o objetivo final do Yoga.

A palavra Vairagya do sânscrito, significa literalmente desapego, e este desapego pode ser alcançado de duas maneiras:

A primeira trata-se de uma experiência, na qual questiona-se todo o esforço que se faz para conquistar algo, e toda a energia que será gasta no sentido de conservar este algo conquistado. A preocupação em perdê-lo, assim como o pesar por saber que há outras pessoas que não o possuem. Estes fatores devem desencadear uma busca positiva pelo desapego. Todavia, se assim não for, poderá desencadear na pessoa uma atitude de abstinência do uso dos objetos a que se está apegado, conduzindo-a, a uma situação de crença em ter alcançado a sabedoria, levando-a a parar no caminho. Esta atitude em realidade é uma armadilha, que conduzirá a indolência, inviabilizando o seu progresso.

O segundo tipo de desapego, é bem mais raro, pois surge espontaneamente, sem a experiência de realizar trabalhosas reflexões sobre a impermanência do mundo. Na realidade, é uma necessidade de liberdade que motiva este tipo de desapego, que na verdade é um reflexo do estado incondicionado em que já se viveu. Este reflexo, é a percepção de uma realidade maior que faz com que o praticante perca o interesse por todo o restante. Todos os Darshanas mencionam os dois caminhos que conduzem ao desapego, variando apenas a ênfase num ou noutro de acordo com a escola.

Independente de qualquer coisa, este questionamento da realidade ordinária e a busca por uma realidade maior, não é de ordem sentimental, mas sim intelectual. Fruto de uma reflexão sistemática, sobre a natureza das coisas, avaliando a experiência humana, no tocante ao que são e ao que poderiam ser. O Yoga tem como característica seu caráter sistemático, impessoal e metódico, opondo-se ao aspecto emotivo, irracional e impulsivo característico das vias religiosas. A rigorosa dedução das conseqüências, baseada nos princípios estabelecidos por sua doutrina, é que permitem com que o campo de investigação do Yoga se amplie muito além do conhecimento das experiências humanas.

SEGUNDO a perspectiva do Yoga, os três estados, humano, sub- humano e divino, possuem igual mente um caráter insatisfatório, e a meta de transcender as experiências atreladas aos estados condicionados ou o mundo fenomenal em sua totalidade. Afim de se ter uma visão clara, é necessário conhecer o conceito de manifestado e não-manifestado.

A teoria de causação é a primeira constatação que se impõe ao universo chamado de manifestado, que tem como característica a mutabilidade constante. Um dos dezesseis idiomas oficiais, e que é utilizado pelo o Yoga em seus tratados, o sânscrito, utiliza a palavra “jagat”, para designar o universo como o concebemos, ou seja, mutável e sempre se movimentando, literalmente esta palavra significa “em movimento”. Esta percepção quanto as modificações do universo e tudo que há nele, são percebidas em todos os níveis, até mesmo as modificações infinitesimais, o são. Os fenômenos físicos e psíquicos estão atrelados a este estado de fluxo contínuo.

O Yoga utiliza a relação de causa e efeito, afim de conhecer a natureza dessas contínuas transformações. A natureza de uma transformação estabelece que o produto não é surgimento de uma substância inteiramente nova e sem relação com a causa, na realidade a substância preexiste na causa, de forma latente, apenas aguardando o momento certo para manifestar-se. O queijo está presente no leite, só que de forma potencial e num estado não diferenciado. Não pode existir efeito que não haja existido anteriormente, de forma imanifestada em sua causa, até porque não se pode gerar algo daquilo que não existe e também os mesmos efeitos são produzidos pelas mesmas causas. O que torna-se perceptível na condição de efeito é apenas a manifestação de qualidades já existentes na causa, só que adormecido ou latente. Tanto a causa quanto o efeito, fazem parte de uma mesma realidade, apenas manifestadas em momentos diferentes, sob condições diferentes. A palavra do sânscrito que designa a produção é “udbhava” e que sugere um desenvolvimento, já “anudbhava” é toda destruição e sugere uma involução enquanto “laya” é a reabsorção na causa.

No universo tudo é efeito de uma causa geradora. Supondo que todos os efeitos estão em estado latente em sua causa e querendo se evitar uma regressão indefinida deve-se poder retornar a uma causa primeira ou substância primordial chamada em sânscrito de “pradhana” todavia, ela ainda não causada. Partindo do princípio da causalidade, conclui-se que existe uma fonte última do universo manifestado, onde uma substância original e diferente de todos os estados encontrados no universo manifestado, visto que cada estado nada mais é do que uma modificação particular do princípio original. A confirmação dessa fonte única, é evidenciada pelo processo de produção, evolução e dissolução seguindo uma ordem definida onde o processo de continuidade vai do mais grosseiro ao mais sutil. Nada pode vir do nada, e qualquer causa gera um efeito; não pode existir algo de menos na causa que no efeito, já que se assim fosse o algo a mais que existisse no efeito seria oriundo do nada, ficando desta forma sem explicação. Necessariamente a causa deve possuir mais que o efeito, de maneira que a causa última deve possuir toda a realidade de todos os efeitos existentes. Baseado no ponto de vista do Yoga, não há criação do universo, mas sim manifestação, daquilo que já existe, latente e indiferenciado da substância primordial. Contudo, segundo a este ponto de vista, nada do que existe no universo pode ser destruído. Não existe destruição, mas sim uma volta ao estado não manifestado.

Esta substância primordial, é chamada no sânscrito de “pradhana”, que literalmente quer dizer, aquilo que é colocado antes das outras coisas. Esta substância primordial também é conhecida por “mula prakriti” que significa Natureza Primordial, que também é chamada apenas de “prakriti”. A “prakriti” tem uma condição “ayakta” ou não manifestada, pois ela não pode ser percebida, mas apenas inferida decorrente de seus efeitos, os quais fazem parte do universo manifestado. A relação existente entre o manifestado e o não manifestado é a mesma existente entre o tecido de feito de algodão e os fios que compõem o tecido. O tecido não é algo diferente dos fios, quem vê um vê o outro. Dentro deste mesmo princípio quem vê o manifestado vê o não manifestado.

Há a necessidade de se distinguir o manifestado do não manifestado, já que tudo que é manifestado origina-se de uma causa, é impermanente, limitado, passível de transformação, caracterizado pela multiplicidade e destinado a dissolução. Ao contrário do não manifestado, que não está ligado a uma causa, é permanente, estável, onipresente, indissolúvel...

No universo manifestado, pode- se perceber que, tudo está atrelado a algum tipo de medida, medida esta que limita os objetos, assim como a distinção entre os componentes desses objetos, a esta medida imitadora chama-se “maya” e a causa produtora denomina-se “prakriti”.

Há uma teoria que é fundamental no pensamento Indiano, que é a teoria dos três “guna”. Nesta teoria a “prakriti” promove o universo manifestado através da interação das três qualidades ou modalidades primordiais. A palavra “guna” significa qualidade, e as múltiplas combinações dessas qualidades é que compõem o universo e tudo o que nele há. Essas combinações dos “guna” ocorrem em proporções variadas, produzindo uma infinita diversidade de formas. Dentro deste quadro de combinações os “guna” exercem domínio uns sobre os outros, ativando, sustentando e equilibrando. Em todos os fenômenos, há a atuação dos três fatores antagônicos, mas que no nível psicológico é melhor observada; onde o “guna” “sattva” tem a função de manifestar, já o “guna” “rajas” tem a função de ativar enquanto o “guna” “tamas” tem a função de limitar e obscurecer.

O “guna” “sattva” possui uma tendência a iluminação, á manifestação consciente. Fisicamente traduz-se por pureza e leveza enquanto que psicologicamente, por alegria, compreensão e paz. Sattva possui a propriedade de revelar o Ser chamado em sânscrito de “sat” O “guna” “rajas” é o gerador de atividade. Muito fraqüentemente associado ao sofrimento, este “guna” gera energia e movimento; ele dá suporte a qualquer trabalho, esforço ou da instabilidade. Do sofrimento surge a necessidade de se sair dele, donde o esforço tende a se manifestar, no sentido de transpor a dificuldade. “Rajas” é a energia utilizada para vencer os obstáculos.

O “guna” “tamas” exerce resistência e obstrui tanto a compreensão quanto o aspecto dinâmico do movimento. Este “guna” manifesta-se como inércia, subjetividade, apatia, obscuridade, ignorância, peso, indiferença e inconsciência.

Um “guna” não possue o poder de aniquilar os outros dois. Havendo uma predominância de um deles automaticamente e na mesma proporção os outros dois se subordinam. Assim como na matéria densa, tem-se a presença de “sattva” também nos estágios mais sutis da psique humana há a presença de “lamas”. E importante ressaltar que, o “guna” mais fraco, associa- se ao “guna” mais forte, auxiliando em seu funcionamento e seguindo a direção estabelecida pelo mais forte.

Diferente dos princípios mencionados até então, surge o conceito do “purusha”, que não é a substância primordial, manifestado e não manifestado. O “purusha” não é criador nem criatura, ele é o princípio de consciência imutável e eterno. É imóvel e sem atividade, contudo ele ilumina toda a evolução cósmica e individual. Um trecho da “Katha-Upanishad” ilustra as características do “purusha”.

“Além do não-manifestado está o purusha, A palavra “purusha” do sânscrito quer dizer homem literalmente, e tem por finalidade designar a essência final do homem. Este termo é muito antigo, e é encontrado nos “veda” designando o Ser universal, Ser este que ao desmembrar-se, originou a diversidade cósmica. O sentido de essência universal relacionado ao “purusha” é encontrado nos “upanishad”, como uma divindade suprema que permeia a tudo e a todos. E o purusha o observador imóvel que contempla silencioso a movimentação da “prakritl”. Ao associar-se a “prakriti” o “purusha” faz com que sua natureza que é consciência pura transforme-se em conhecimento por meio das limitações do corpo físico e do intelecto."

O conceito da realidade do “purusha”, pertence a tradição Védica, que foi revelado através da intuição espiritual direta, alcançada pelos métodos do Yoga, mais precisamente a meditação. Todavia, existem argumentos que explicam ao intelecto antes da experiência direta, que é conhecida por “dhyana”, ou meditação. Todo e qualquer agregado, existe em função de outra coisa, diferente deste agregado. Tanto o corpo, quanto o psiquismo e suas faculdades mentais e sensoriais existem para servir ao morador, o Eu, conhecido por “purusha”. Todos as coisas que existem no universo são regidos pelos “guna”, daí deduz-se um “purusha” que contempla a ação dos “guna”, sem estar sujeito a ação destes. A existência de um poder controlador, deduz-se a presença do “purusha” influenciando a “prakriti”, para que ela se manifeste. O “purusha” existe porque é preciso que haja um sujeito consciência, para quem todos os esforços são destinados. Todos os seres consciente ou inconscientemente buscam libertar-se de suas limitações. Os textos sagrados asseguram uma liberação e indicam um caminho adequado para tal. Quanto ao caminho escolhido para alcançar o “purusha”, isto é secundário visto que o mais importante é saber que o “purusha” não será alcançado por meio do intelecto.

 

 

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